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Dia das Mães: Uma data para se pensar além dos presentes

Atualizado: 15 de mai. de 2023

Rodeada de momentos incríveis, a maternidade pode ser um período de muitos desafios silenciosos



Dia das mães, em geral, é uma data que remete a todo o carinho, afeto e alegria que a maternidade traz. No entanto, para algumas mães a realidade não é bem assim. Marcada por dificuldades que vão desde a gestação até a criação dos filhos, ser mãe pode ser uma tarefa mais difícil do que algumas convenções sociais fazem parecer.


Dores antes, durante e após o parto, doenças desenvolvidas durante a gravidez, dificuldades com a amamentação, depressão pós parto e o período do puerpério são alguns dos dilemas enfrentados por diversas mães brasileiras. Para a enfermeira e supervisora do Departamento da Saúde da Mulher, Gestante, Criança e Adolescente de Juiz de Fora, Andréia Lanzotti, os primeiros meses de gestação são cruciais para o desenvolvimento de uma maternidade saudável. “Primeiro a mulher precisa aceitar a gestação, pois quando ela não aceita, quando é uma gestação indesejada, isso pode gerar doenças psicossomáticas”.


A supervisora também ressalta que 85% das gestações são de risco habitual, ou seja, a mulher transcorre o período em que o feto é gerado sem apresentar grandes riscos para a saúde da mãe e do bebê. Porém, existem 15% de mulheres que desenvolvem uma gravidez de alto risco. “A gestação de alto risco envolve uma diabetes gestacional, uma pré-eclâmpsia”, aponta.


Andréia informa que outra barreira a ser enfrentada no início da maternidade é a falta de acesso e adesão de algumas mulheres ao tratamento necessário, o pré natal. “E tem os problemas da questão social também, problemas de acesso ao pré-natal, por exemplo”, afirma a supervisora.


Confira no link abaixo áudio da Supervisora Andréia Lanziotti sobre o Pré Natal



Dificuldades e as alegrias da maternidade


Júlia Souza, mãe de dois filhos e residente em São João Nepomuceno, viveu as dificuldades da maternidade ainda pequena. A mãe dela faleceu no momento do parto devido a complicações no quadro de pré-eclâmpsia. Essa eventualidade acabou culminando sua criação por parte de seus tios.


Como mãe se diz muito realizada. "Maternidade é a melhor e maior experiência que uma mulher pode ter.“ Ela também conta que sofreu com episódios de depressão, ansiedade e um quadro de hipertensão durante o período em que esteve grávida.


Na sua primeira gestação, Júlia disse que um dos maiores problemas foi aceitar o fato de estar grávida e entender o que ela precisaria fazer a partir daquele momento. “A primeira [dificuldade] eu creio que foi a aceitação em si, porque quando um pai não quer e não aceita um filho, simplesmente deixa para a mãe, e ela tem que aceitar. Já a mãe, se fizer o mesmo, é crucificada [...]. Eu acho que é a aceitação, né? Aceitar que ia ter um filho independente das condições psicológicas e financeiras, eu tinha que criar e tinha que dar conta, eu tinha que ser mãe”.


Julia Souza, junto de seus dois filhos respectivamente, Lucas e Theo


Já a Bruna Oliveira, mãe do Benjamin, conta que sofreu muito com os enjoos. “Uma coisa que eu não imaginei era que eu iria passar mal todos os dias [...] Normalmente as mulheres ficam enjoadas durante os três primeiros meses, mas eu fiquei praticamente a gestação toda. Então foi totalmente o contrário do que eu imaginei e esperava”. Ela diz que isso foi motivo para se comparar com muitas outras gestantes. “Na época que eu trabalhei em uma loja de varejo tinha uma amiga que ficou grávida, e ela trabalhou até uma semana antes de ter o bebê. Eu imaginava que comigo seria assim, só que muitas vezes eu não conseguia fazer uma coisa simples, como varrer casa”, lembra.


O parto do filho Benjamin foi demorado e doloroso, porém Bruna afirma que nenhuma das dificuldades passadas durante o processo fez com que se arrependesse. “É bem instável. Acho que essa é a palavra que define mesmo, instável. Porque são emoções, mas elas não alteram o sentimento de alegria que é estar vivendo esse processo. Eu passei muito mal e o parto foi realmente muito difícil, mas nenhum desses fatores foi capaz de alterar o sentimento de estar vivendo aquilo tudo [...] É uma coisa bem contraditória, pois ao mesmo tempo que é muito difícil, é uma alegria muito grande”.


Bruna Oliveira e Benjamin

O Maio Furta-Cor e a saúde da mulher


No mês de maio é feita uma campanha sem fins lucrativos chamada de Maio Furta-cor. A data é uma forma de conscientizar as pessoas sobre a saúde mental das mães.


Veja no vídeo a explicação de Andréia sobre o Maio furta-cor



Segundo Andréia Lanzotti, uma das questões envolvem mães que perderam os filhos nas últimas semanas de gravidez ou longo e após o parto “É um lado que muitas vezes fica no esquecimento, a perda gestacional. Essa mulher vive muito o luto de ter perdido, e muitas vezes era uma gestação muito esperada”. Lanzotti também comenta sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres que entram em trabalho de parto antes das quarenta semanas, gerando filhos prematuros. “É um bebê que vai ficar na UTI neonatal, muitas vezes ele vai ficar ali até o tempo que levaria na barriga da mãe, pois precisa completar o peso. E esse período é um momento muito angustiante para as puérperas”.



Confira as atividades do Maio Furta-cor para a Saúde da Mulher dessa semana em Juiz de fora

Para maiores informações procure pela #maiofurtacorjuizdefora saúde mental materna importa.


Para a mãe, as mudanças físicas e emocionais na gestação são muitas e constantes. “É um período onde o bebê está dependendo inteiramente da mãe e isso pode ser muito cansativo e desgastante. Ela tem privação de sono, problemas para amamentar, tem a dor às vezes da cesariana, dos pontos, os hormônios que estavam lá em cima e caem de repente. Já a depressão pós-parto acontece quando esse desgaste e estresse do puerpério se estende.” “A mulher que tem rede de apoio vai conseguir lidar melhor com essas questões. Porém, hoje tem muitas mulheres que não têm rede de apoio e nem alguém para auxiliar",pondera a psicóloga e hoje gestante, Maria Elisa Sklar. No entanto, ressalta que esses fatores não são determinantes, pois existem inúmeras outras causas, como a questão genética.


Entre as mudanças físicas, está a alteração do corpo da gestante, que também traz muitos conflitos. No caso da mineira de Santos Dumont, Ana Elisa Botelho, que teve o seu filho, Dante, em março de 2023, a situação não foi muito diferente: “No primeiro mês é muito difícil, Você não se sente muito bem com o seu corpo, a verdade é essa. Por mais que você se cuide, as estrias vão aparecer. Eu tive uma fase que eu olhava no espelho e não me reconhecia, me sentia muito mal porque o meu corpo estava totalmente diferente. A barriga demora um tempo para voltar, os seios duplicam de tamanho, você se sente inchada. Acaba levando um tempo para você se reconhecer”, declara.


Ana Elisa Botelho e Dante

A rede de apoio no auxílio a uma amamentação de qualidade


Outra barreira a ser superada é a dificuldade de algumas mães para amamentar seus nenéns. Para as enfermeiras e consultoras de saúde materno-infantil, Isabela Pires e Karoliny Moreira, o estado emocional em que a mãe se encontra durante esse tempo é essencial para definir uma amamentação de qualidade ou não."O emocional da mãe pode influenciar na amamentação. Até porque a amamentação depende de hormônios e outros fatores externos para que flua de forma tranquila. Quando a mulher é exposta a grandes níveis de estresse, pode reduzir o nível de ocitocina e outros hormônios que são essenciais no processo de amamentação. Por isso a importância de ter uma rede apoio”


Julia Souza é mãe de Lucas e Theo. E conta que teve dificuldades na amamentação nas duas gestações: “Eu não tive muito leite, em ambas, mas na primeira, como eu me cobrava muito e tinha a questão da família querer que você tenha sucesso na amamentação e a sociedade também, eu não queria desistir de forma alguma. Sangrava, doía, chorava, eu pedia para tirar o meu filho dos meus braços, porque aquilo para mim era uma tortura”, recorda.


Confira um pouco da conversa com Júlia



De acordo com as consultoras de saúde materno-infantil, a assessoria de amamentação preventiva na gestação é importante porque traz informações que deixam a família mais segura para o nascimento do bebê. “É uma boa oportunidade para a família tirar dúvidas, treinar o posicionamento e as técnicas corretas”. Elas afirmam que, caso a mulher tenha dificuldades na hora de amamentar, é necessário buscar a ajuda de um profissional pediatra de referência do bebê para que seja feito o manejo correto e o bebê ter um acompanhamento mais de perto.


A supervisora do DSMGCA (Departamento da Saúde da Mulher, Gestante, Criança e do Adolescente) informa que as mulheres que possuem dificuldades de amamentar podem procurar o banco de leite da cidade. Clique no link abaixo e ouça:



No dia 19 de Maio é comemorado o Dia Nacional de Doação de Leite Humano. "Um pequeno gesto pode alimentar um grande sonho:Doe Leite Materno!" Confira a programação da Semana em Juiz de Fora




Volta ao mercado de trabalho e aos estudos

Outro empecilho vivenciado por muitas mães é a reinserção no mercado de trabalho e em outras atividades cotidianas, como os estudos. Embora a licença-maternidade seja garantida, por meio do artigo 392 da CLT, permitindo que a mãe fique 120 dias afastada de suas funções sem que ocorra prejuízo no salário, esse tempo não é suficiente para que ela acompanhe e ajude a suprir todas as necessidades do recém-nascido, ocasionando abandono de suas carreiras e funções, mesmo que por um período determinado. Além disso, existe todo um peso imposto pelo papel social da mulher, em que ela precisa ser 100% presente na vida da criança e ainda conseguir cuidar de sua saúde física e mental.


“Apesar de eu ser tranquila, eu tenho um pouco de resistência. Porque eu sou assim [tranquila] com quem eu conheço, pois são do meu ciclo de convívio. Quando muda para um cenário com alguém que você não conhece, que você não sabe como ela vai agir com o seu filho [...]. É aquele medo do desconhecido. Será que ela vai perder a paciência com ele [criança] em algum momento?”, relata Bruna Oliveira ao dizer que não se sentiu segura para deixar seu filho de 9 meses na creche. Por isso acabou optando por continuar se dedicando apenas à maternidade.


Já Ana Elisa, decidiu pausar os estudos para se dedicar ao seu filho: “ Foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado, porque a maternidade é muito puxada, é uma coisa muito complicada, delicada e que requer muita atenção ".


Ana Elisa chama atenção para a questão da romantização que há em torno da maternidade e alerta sobre a importância de estar atenta às necessidades não só da criança, como também da mãe, em especial, as de primeira viagem. “ É um período muito bonito, você se redescobre demais, se apaixona cada dia mais pelo seu filho, mas é muito complicado. Você fica sensibilizada, fragilizada e muitas vezes sem dormir e sem ir ao banheiro direito.[...]. Por favor, nunca julgue uma recém mãe, que está nessa mudança agora, respeite o pedido da mãe, a vontade dela. Preste atenção na mãe. Porque muitas vezes a gente só foca no bebê, não vê a mãe e ela fica invisível”.


Confira um pouco da conversa com Ana Elisa



 
 
 

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