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No caminho até o diploma, a primeira conquista deve ser o respeito

Garantir acessibilidade é mais um passo importante para romper com as desigualdades e promover a inclusão social


"Tive que me virar. Não tinha nenhuma acessibilidade. Depois de 6 meses me virando, disponibilizaram uma professora de apoio, do lado dela e apenas assim eu podia fazer fotos das matérias no quadro. Isso já foi um grande avanço". Esse é o relato da estudante Jullya Mota e que é a realidade da maioria dos estudantes com deficiência no Brasil.


Segundo levantamento feito pelo IBGE em 2010 (e com releitura dos estudos do Grupo de Washington), 6,7% das pessoas têm algum tipo de deficiência no país. Já o Censo da Educação Superior de 2018 aponta que na Educação Especial há menos de 1% de alunos matriculados em um total de 8,45 milhões de estudantes. Realidade que pode demonstrar o quanto as pessoas com deficiência não se sentem incentivadas ou não encontram um ambiente preparado para que possam progredir nos estudos.

“A educação inclusiva implica em entender a necessidade do humano, e que entre todos os indivíduos existem pessoas com deficiência”, explica a psicóloga com estudo em política educacional, Margareth Campos Moreira, que trabalha com inclusão e diversidade. O direito à educação é fundamental e deve ser acessível a todas as pessoas, independentemente de suas condições físicas, sensoriais ou cognitivas. Um ambiente que promova a inclusão e assegure condições de ensino a todas as necessidades de aprendizagem.


Margareth Moreira , no campus Academia onde leciona

A estudante Jullya conta que vivenciou várias dificuldades no ambiente escolar desde que descobriu a baixa visão há pouco mais de cinco anos.


“Foi um grande desafio. Não pela aceitação em si ou por medo do que eu iria conseguir fazer ou deixar de fazer, mas porque a escola, os profissionais e meus colegas não tinham conhecimento e nem contato com nenhuma pessoa com deficiência. Na escola tinham duas pessoas com deficiência e nenhuma delas era visual", conta Jullya.

Assista o vídeo:



Hoje ela é estudante do curso de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Academia (UniAcademia), em Juiz de Fora. E já percebe uma diferença do ambiente que vivia na escola. Assista um pouco de como está sendo a experiência dela na Faculdade



O acesso ao ensino superior das pessoas com deficiência é garantido por lei. A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), no artigo 27, assegura que:


“A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem”. A lei prevê ainda que Estado, família, comunidade escolar e sociedade devem assegurar essa educação.


Para Margareth, no entanto, nenhuma instituição de ensino de Juiz de Fora ou mesmo de outros lugares no Brasil são totalmente inclusivas no sentido pleno da palavra. Confira no vídeo a explicação sobre o assunto.


Margareth acrescenta que um dos aspectos essenciais para a inclusão é a formação adequada dos professores. Oferecer capacitações regulares para os docentes, abordando temas como pedagogia inclusiva, adaptação de materiais didáticos e estratégias de ensino que atendam às necessidades de cada aluno, contribuem para que os educadores estejam preparados para criar um ambiente inclusivo em sala de aula, valorizando as diferenças individuais e garantindo a participação de todos os estudantes."Nós precisamos mudar os processos educativos, precisamos pensar em uma educação que seja para todo mundo. Então, eu preciso mudar o meu pensamento de achar que aquela pessoa com deficiência é coitadinha. Precisamos entender todas as pessoas como capazes de aprender", finaliza a Psicóloga


Outros passos para inclusão nas instituições


Um dos passos para se ter acessibilidade em qualquer ambiente é a adaptação física dos espaços, o que inclui as instituições de ensino, também as universitárias. Rampas de acesso, corrimãos, elevadores, portas mais largas e banheiros acessíveis são elementos fundamentais para permitir que estudantes com as mais variadas deficiências possam transitar livremente e se sintam incluídos nesse local. Um outro exemplo é o mapa tátil que auxilia na orientação e mobilidade das pessoas com deficiência visual em um dado espaço. Essas adaptações não apenas facilitam o acesso, mas promovem também a independência e a autonomia desses estudantes.


Mapa Tátil, usado na Faculdade Uniacademia Campus Arnaldo Janssen


Outro aspecto que envolve a acessibilidade, que também deve estar presente no ensino superior, é a disponibilidade de tecnologia assistiva e recursos adequados para os estudantes. Por exemplo, alunos com deficiência visual, como a baixa visão, podem utilizar softwares que facilitam a leitura, além de teclado com letras ampliadas, materiais em braile para pessoas cegas, entre outros recursos que melhoram a qualidade de ensino e facilitam o aprendizado.


Corrimão com escrita em Braile, no Campus Arnaldo Janssen da Faculdade Uniacademia


Para Jullya os desafios não foram poucos, inclusive, os tecnológicos. Na escola, o uso da tecnologia em sala era proibido. Assim, ela não podia usar o celular nem mesmo para fazer fotos do quadro.


Jullya Mota usando equipamento fotográfico disponibilizado pela Faculdade em uma de suas aulas da grade curricular

Contudo, dentro dos diversos incômodos, havia um que ela classificou como o pior: o respeito.



O ensino superior é uma etapa crucial na formação acadêmica e profissional das pessoas, que abre portas para outras oportunidades e para o crescimento pessoal. No entanto, nem todos têm igual acesso a essa vivência. É aí que a importância da acessibilidade no ensino superior se torna indispensável.

 
 
 

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